junho 20, 2009

Flashes Dedicados.

Flash dedicado Nikon Speedlight SB900

Os maiores benefícios da fotografia digital são: a facilidade de realizar o balanço de branco, a capacidade de fotografar com altos ISO - 800,1600,3200, e possibilidade de avaliar na hora os resultados da fotografia com flash, o que diminui em muito a curva de aprendizagem.

Se nenhuma dessas necessidades tem grande papel na fotografia que você faz, você, muito bem, poderia estar fotografando com uma LEICA M3 ou uma Kodak Trip 35, usando filme cromo ou negativo Fuji ou Kodak. Mas se você faz muita fotografia em lugares fechados, se depara sempre com luzes artificiais e não lembra a última vez que saiu de casa sem flash, fotografia digital é o equivalente ao Cálice Sagrado para você.

Nesse mundo maravilhoso do paraíso digital, os flash dedicados são os reis.

Foto com Canon 580 Ex II como luz principal, na sombrinha difusora branca e flash Sigma 530 EX rebatido como luz de fundo. Modelo: Heloísa da Mata. Fotógrafo: Henrique Pereira

Flashes dedicados são unidades externas que se conectam à câmera de marca específica, através da sapata-quente, ou cabo de sincronismo especiais ou por conexão "sem-fio". Dada a capacidade de reunir e interpretar informações coletadas da câmera, lente e sensores do próprio flash, esses equipamentos são capazes de ajustar automaticamente a intensidade resultando em exposição correta com o mínimo de esforço.

As principais marcas de câmeras fotograficas tem hoje à disposição flashes dedicados para suas DSLR, sendo o modelo top-de-linha de cada marca, respectivamente:

  • 580 EXII - Canon;
  • SB 900 - Nikon;
  • HVL - F 58 - AM - Sony;
  • FL 50R - Olympus;
  • SF - 58, LEICA.
Ademais, marcas tradicionais como METZ e revolucionárias como Quantum oferecem flashes para a maior parte das marcas de maior renome. 

Dentre esses, o Quantum flash é apontado como o Rei-dos-Reis dos Flashes por vários fotógrafos pela potência superior do aparelho, a presença de todas as funções disponíveis na tecnologia atual e a diversidade de modificadores de luz disponíveis para a marca. Infelizmente a Quantum é cara pra chu-chu! Desta forma, eu uso flashes Canon 580 EX-II que eu tomo como referência para escrever este artigo. Embora todos os flashes top-de-linha sejam muito parecidos em especificações e operação, é necessário que você dê uma boa lida no manual do fabricante do seu flash ou do flash que pretende comprar para ter certeza do que ele é capaz de fazer e como operá-lo.


Modos de Exposição

Os modelos mais recentes de flash dedicado oferecem opções de modos de exposição que vão do totalmente manual ao totalmente-eletrônico-automático-a-prova-de-idiotas.

No modo E-TTL o flash emite um pre-flash o qual produz luminosadade que incide sobre a cena e é refletida de volta à câmera. Essa luz passa através da lente e é analisada por sensores eletrônicos de exposição dentro da câmera. Pegou? Eletrônico-através-da-lente = Eletronic-Through-The-Lens = ETTL. Smart, haan?!

No modo de cálculo de exposição por sensor externo, o flash calcula a potência necessária através das informações colhidas por sensor localizado no prório corpo externo do aparelho durante a exposição. Quando percebe que já há exposição suficiente o sensor emite uma ordem eletrônica ao flash para interromper o fluxo de luz. Nesse modo de exposição, na maior parte dos modelos - o fotógrafo deve informar manualmente a abertura das lentes e o ISO em que se trabalha. A Canon chama esse modo de Automatic Flash Exposure Non-TTL.

No modo Manual, a partir da distância do objeto a ser fotografado, o fotógrafo manualmente altera a potência do flash - o que é bastante útil quando o objeto fotografado mantêm distância + ou - fixa do flash e se deseja um saída de intensidade absolutamente constante.


Em resumo:
  • o sistema ETTL analisa a luz reflexiva que retorna da cena após o pre-flash e que passara através das lentes.
  • No modo automático com sensor externo, o flash analisa a luz que incide sobre ele no momento da exposição, sem necessidade de pre-flash.
  • No modo manual você usa sua brilhante cabecinha para calcular tudo manualmente, por tentativa e erro, utilizando o histograma RGB da sua câmera, com o uso de um fotômetro de mão para luz incidente ou deduzindo distância e potência por meio da tabela de Número Guia.
Vantagens e desvantagesn dos três modos

Pros do modo ETTL:
  • Pros. Obviamente, você não precisa fazer cálculo algum, os japoneses já calcularam tudo - eles são muito bons nisso, haja visto a Faculdade de Tecnologia da USP! Só aponte a câmera e concentre-se em composição, cor e boas idéias. Deixe o flash cuidar do flash.
Cons do modo ETTL:
  • Cons - Esse cálculo não é perfeito. Por que? Tendo em conta que a luz analisada é reflexiva, há o mesmo problema que acontece na fotometria das nossas câmeras: tendência de trazer tons claros demais, ou escuros demais para os tons médios acerca da luminosidade do cinza 18%. Dessa forma, tons extremos precisam de compensação de exposição do flash boa parte das situações.
  • Distância também é um problema, haja visto que o flash confia na luz refletida para fazer a avaliação. A partir de uma certa distância, em torno dos 1o metros, o índice de luz refletida é baixo e difuso o que dificulta uma exposição confiável, especialmente ao ar-livre.
  • Back light é outro desafio, tendo em conta que a luz que vem do fundo acidentalmente pode ser percebida como parte da luz reflexiva do pré-flash e confundir o sistema.
Pros do Modo Automático com Sensor Externo:
  • Esse modo de exposição tende a ser bastante bem sucedido nos pontos onde o ETTL fraqueja: back light e luz de preenchimento. Isso dado que o sensor se posiciona fora do eixo das lentes e não depende de pre-flash para avaliar exposição.
  • Não necessita de pre-flash.
Cons:
  • É necessário informar a câmera o ISO e a abertura das lentes.
Pros do Modo Manual:

  • Depois que você programa a intensidade do flash ela permanece aí até o inferno congelar, não importa o que aconteça mesmo que você tenha de fotografar um urubu numa noite escura ou um urso polar ao lado de um iglu em back light.
Cons:
  • Você tem de medir a luz novamente a cada mudança de distância do objeto, de intensidade da luz ambiente etc...como diz a música, no manual: its.....ONLY YOU!

Modos de Comando

Até aqui vimos como os flash dedicados analisam a cena e determinam a intensidade correta para a boa exposição da cena. Mas os flash dedicados também oferecem opção de operação a distância. Além da operação na sapata ou por cabo de sincronia, mencionadas, esse flashes podem ser comandados sem-fio a distâncias de até 15 metros, segundo o manual da Canon.

Com um flash mestre posicionado na sapata da câmera ou ligado por cabo de sincronia dedicado, você pode controlar flash posicionados fora da câmera. O flash na câmera "conversa" com os flash fora da câmera - os escravos - por meio de sinais luminosos e, sem que você precise sequer tocar neles, todas as informações de configuração são passadas. Plug and Play, baby!

O mestre, nos modelos top-de-linha, pode comandar até três grupos de flashes (A,B e C - para luz principal, preenchimento e fundo). Ademais de intensidades simétricas, é possível assinalar diferentes razões de potência para cada grupo que podem ser ajustadas a partir da própria câmera!

Esse tipo de operação é extremamente útil em locações onde carregar o peso e volume de flash de estúdio e geradores e todo o trabalho de medir, medir e medir seria indesejável, arriscado ou mesmo impossível.

Nem tudo são flores, desvantagens dos flashes dedicados ou: "por que eu não vou deixar de usar flash de estúdio".

  • Flash dedicados são ridiculamente caros, especialmente no Brasil onde nós pagamos 60% de imposto para importar equipamentos. Um (1) 580 EX II custa hoje, em média R$1400,00.
  • Flash dedicados são pequeninos e oferecem pouco volume de luz, embora apresentem grande potêcia de luz. Por vezes, é necessário conectar mais de um à mesma sombrinha para conseguir luz homogênea sobre uma superfície maior. (Lembre que volume é diferente de intensidade!).
  • Ainda há pouca oferta de modificadores de luz, comparado ao que está disponível para flashes de estúdio, e mesmo o que há no mercado ainda é significativamente caro, em especial no Brasil (de novo).
  • Flash dedicados são movidos à pilhas Nimh que não são especialmente baratinhas e não duram uma eternidade!(sentiu a ironia?). Um flash 580 EXII é capaz de 190 flashes em plena potência com baterias NiHM novas, um flash ATEK Gerador 1000 Watts é capaz de 330 disparos.
Por que eu uso e continuarei usando flashes dedicados?

Flahes dedicados, especialmente em modo de comando wireless são uma preciosidade para locações arriscadas, como levar noivas para o meio de uma cachoeira ou no meio do trânsito. Como 90% de tudo é estar lá, flashes dedicados superam flash com geradores em todas as situações onde é necessária rapidez e flexibilidade.
  • são pequininhos do tamanho de um botão carrego um no bolso e outro no coração
  • têm enorme capacidade de ajuste de intensidade. O 580 EXii vai de potência total à 1/128 da potência total, em terço de f/stop! São 7 f/stops de ajuste!
  • têm lentes de fresnel, as mesma que se encontram em iluminadores fresnel para cinema e TV, o que dá enorme controle sobre a direção e concentração da luz.
  • têm cabeça giratória que me permite jogar a luz onde eu quizer, mesmo usando tripés simples ao invés das girafas que mais caras e pesadas de andar por aí.
  • podem ser comandados da minha câmera sem que seja necessário o uso de ajudantes especializados o que barateia a produção e descomplica minha vida. Priceess!
Conclusão

Obviamente nenhuma solução serve para tudo ou por toda vida. Eu uso flashes dedicados, flashes de estúdio e recentemente luz contínua. Cada tipo de luz é como um novo vocabulário que você acrescenta. Nessas condições, flashes dedicados são uma aquisição muito bem vinda na minha vida e creio que nos próximos anos, nenhum fotógrafo poderá prescindir de ter alguns na mala quando sair em locação.

Hoje eu postei outro artigo, que vem logo em seguida, sobre fotos em uma festa junina tiradas com Contax G2 e Lente 90mm f/2.8 Sonnar. Para ir para lá, continue descendo a página ou clique aqui.